Há quatro anos o tema TI bimodal – conceito que enfatiza a aplicação da TI tradicional e experimental simultaneamente nos processos de negócio – vem sendo debatido em conferências no mundo todo. Acadêmicos, executivos e profissionais do mercado estão interessados em descobrir uma forma de modernizar o time-to-market, por meio de um modelo ágil

Em 2014, o Gartner fez algumas recomendações sobre uma forma de implementar esta nova estratégia nas empresas. O que viabiliza os benefícios do DevOps e envolve a transformação da cultura da companhia para a adequação do mindset dos colaboradores e parceiros.

Na ocasião, a proposta de adoção da TI bimodal, enfatiza a agilidade e a velocidade. Tendo como expectativa promover condições para as empresas se adaptarem rapidamente às mudanças que ocorrem na tecnologia.

Tais recomendações apresentavam cinco temas, imprescindíveis, para alcançar o sucesso, sendo elas: 

  1. direcionar corretamente o comportamento do time ágil; 
  2. buscar consenso sobre a abordagem junto aos stakeholders
  3. começar com foco em um piloto pequeno; 
  4. trabalhar a cultura;
  5. focar no aperfeiçoamento. 

As abordagens são convergentes e têm origem bastante comum: melhor atendimento e resposta aos clientes. Sendo, os principais objetivos são a busca por eficiência operacional e produtividade.

Mas, com os sistemas ágeis, quais foram os resultados obtidos até agora?

Ainda há pouca informação disponível no mercado, para que possamos indicar os sucessos e insucessos desse processo. Assim, as métricas de eficiência e os resultados obtidos a partir deste novo statement of work ainda é obscura, e está inserida dentro do próprio contexto de cada empresa.

De qualquer forma, segundo os artigos do IDC – International Data Corporation e do Gartner, permanece quente a corrida para adoção aos modelos ágeis e muitas empresas ainda estão em processo de mudança, onde os desafios são completamente diferentes dependendo do porte da organização. 

Além disso, o Gartner previu que, até 2018, 75% das empresas teriam adotado algum  modelo ágil de trabalho para obter sucesso na estratégia de Digital Business.

Em geral, as empresas de grande porte procuram o modelo dual, pois elas ainda possuem um modelo de atuação tradicional. Já para as empresas pequenas a adoção do modelo ágil é mais fácil. Uma vez que, são mais enxutas e não precisam de investimento na separação dos papéis, o que viabiliza mais contratações e processo para manter os talentos necessários.

Há muita especulação sobre quais são os fatores de sucesso para a adoção do modelo dual. Porém, em todo caso, especialistas apontam que não existe receita única para todas as empresas.

Sabe-se que a adoção da TI Bimodal depende, principalmente, da aproximação da área de TI com as áreas de Negócio e que a imprevisibilidade é uma das partes que vem no pacote.

Modelo ágil versus tradicional

Um dos desafios mais apontados pelos executivos é o conflito interno entre o time do modelo ágil e o time tradicional, que suporta os negócios. Em geral, é o grupo tradicional que está preso a sistemas e tecnologias que começam a perder empregabilidade. Um dado importante que colabora com esta visão é que 85% dos gastos das empresas em TI ainda são relacionados à TI tradicional, segundo o IDC.

Além disso, outra condição igualmente importante para adoção do modelo dual esbarra em aspectos humanos, que estão relacionados ao perfil dos profissionais. Em geral, o perfil dos profissionais do modelo ágil é muito diferente do perfil dos profissionais do modelo tradicional

Ou seja, existem lacunas entre a contratação e o desenvolvimento da carreira destes profissionais dentro da empresa. E, esse é um tema que precisa ser considerado em sinergia com a área de Recursos Humanos.

Modelo intermediário à TI Bimodal

Na busca de uma solução, as empresas adotam o modelo intermediário, a TI Bimodal. Ou seja, a empresa digital tem que ser ágil de ponta a ponta e não apenas em grupos isolados de DevOps. 

Sendo assim, a forma que os executivos encontraram é misturar os times de operações e de inovação em uma única equipe. E, o resultado esperado desta abordagem é que as mesmas pessoas que fazem o suporte de velhas funcionalidades, criam e executam os planos para as novidades, passando a assisti-las quando migram para a operação em definitivo.

Isso é mais próximo do método adotado pelas empresas de menor porte. Além disso, tal modelo está em pleno movimento de evolução, e não existem ainda respostas conclusivas.

Não podemos negar a complexidade envolvida na adoção dos modelos, e o quanto de esforço há nestas empreitadas. Todo este movimento causa uma reação em cadeia, à qual a maioria busca se adaptar, mas não conseguimos ter a percepção de todas as implicações, pois são processos ainda não concluídos. Por isso, é impossível determinar uma fórmula de sucesso.

Os defensores do modelo dirão que não é permitido perder o bonde, ou estaremos fadados ao insucesso. Já os pessimistas dirão que seguir o Bimodal é a fórmula para o fracasso. Porém, de toda forma, são aspectos positivos, pois são condições que produzem mudanças profundas e são baseados nas necessidades dos consumidores.

Em resumo, a pergunta que todos querem responder é: só as empresas ágeis irão sobreviver? A única certeza que temos é que ao final as empresas não conseguirão sair ilesas deste processo, seja pela grande mudança interna, que é preciso fazer para alcançar este objetivo, seja pela dificuldade de adaptação, ou pela inércia. Em todos os casos, seremos afetados, pois é o mercado quem dita o caminho.

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